Hector Zamora, Sciame di Dirigibili, 2009 | Ananké Asseff, Crimines Banales, 2007 | Luiz Roque, cena de HEAVEN [Paraíso], 2016 | Fábio FON, O artista estah telepresente, 2013

A R T I F I C I A L 

Artistas-pesquisadores como Joan Fontcuberta e Fábio Oliveira Nunes baseiam suas proposições na ideia geral de que, na sociedade contemporânea, precisamos debater, desconfiar e manipular a verdade vendida diariamente pelos diversos canais de distribuição social de informações. Com isso, querem dizer que o esforço por criar novas narrativas ficcionais, sejam realistas ou fantásticas, dissipa-se diante da leitura simples do noticiário. As dramaturgias estão prontas. A improbabilidade e o absurdo dos acontecimentos cotidianos, dissolvidos em centenas de milhões de posts de várias redes digitais, principalmente o Facebook, se tornam logo disputas polarizadas de ideias e simulacros infinitos. O fio da meada quase sempre desaparece. Na verdade o fio da meada não importa mais. É sintomático, nesse raciocínio, ver a expressão “pós-verdade” ser escolhida pela Universidade de Oxford a mais importante do ano de 2016: o que existe de verdade no mundo real hiperconectado dos anos 10 é um amontoado de pós-mentiras.

É urgente aprofundar reflexões sobre a influências das redes digitais e da tecnologia na sociedade de hoje, na forma de obras artísticas que encaram os espaços informacionais não apenas como suporte/meio, mas como temática. Que tipo de relações e visões de mundo a internet irrestrita originou e vem aprofundando? Se vivemos a transição para um universo pós-digital, termo pontuado pelo compositor Kim Cascone, o que nos espera logo ali no fim da década? Artistas de escolas e origens diversas, como Hector Zamora, Luiz Roque, Cindy Sherman, entre muitos outros, se utilizam contemporaneamente da mentira, da ilusão e de ficcionalidades da realidade para ajudar a conceber este presente possível e relativo. O que sobrará dos anos 10 para a memória social coletiva? A realidade ainda importa ou estamos tão ocupados e hiperestimulados pelo consumo incessante de informações irrelevantes que não conseguimos mais separar o joio do trigo? Estamos vendo surgir um patrimônio artificial?

A partir dessas provocações, desenhamos o projeto A R T I F I C I A L como o principal laboratório do mezclador em 2017. Com o objetivo de produzir pensamento crítico sobre a contemporaneidade – e o legado da pós-verdade –, buscamos a produção de obras/ações multiformato tendo como temáticas centrais as ideias de verossimilhança, simulacros e tecnologias sociais distópicas.

artistas
Francele Cocco
Lucas Pretti
Fernando Krum

ações

Work in progress.

registro de processo